O Primeiro Testamento, também conhecido como Antigo Testamento, é o conjunto de livros sagrados que fundamentam a fé do povo hebreu. Nele são narradas a origem da humanidade, a história dos patriarcas, a formação de Israel como nação, a entrega da Lei mosaica e as alianças estabelecidas entre Deus e seu povo. Escritos em sua maior parte em hebraico, esses textos são marcados pela esperança messiânica e pela expectativa da plenitude da revelação divina.
O Segundo Testamento, tradicionalmente chamado de Novo Testamento, apresenta a vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo, considerado pelos cristãos como o Messias prometido no Antigo Testamento. Composto por evangelhos, cartas apostólicas, Atos dos Apóstolos e o livro do Apocalipse, o Novo Testamento inaugura a nova aliança entre Deus e a humanidade, agora universalizada e mediada pela graça.
O diálogo entre os dois testamentos é profundo. Muitos elementos do Primeiro Testamento ganham novo significado à luz do Segundo: o cordeiro pascal, os salmos messiânicos, as profecias de Isaías, Jeremias e Daniel, entre outros. Ao mesmo tempo, o Novo Testamento só pode ser plenamente compreendido em relação à tradição judaica que o precede.
Portanto, Primeiro e Segundo Testamentos não são opostos, mas complementares. O Primeiro prepara o caminho; o Segundo realiza a promessa. Juntos, constituem uma narrativa teológica coerente sobre a história da salvação e o relacionamento entre Deus e a humanidade.
Para a primeira aliança, foi dada a Lei; para a segunda, Jesus declara:
"ἐντολὴν καινὴν δίδωμι ὑμῖν"
A tradução literal da frase grega é: "Mandamento novo eu dou a vós"
Note a sutileza embutida na sequência, exatamente como foi dita, palavra por palavra:
ἐντολὴν – mandamento (acusativo singular de ἐντολή)
καινὴν – novo(a) (acusativo singular feminino de καινός)
δίδωμι – eu dou
ὑμῖν – a vós / para vocês (dativo plural de σύ).
Note na construção da frase a oposição - que indica a substituição - do mandamento antigo pelo novo.
Essa nova orientação, baseada no amor, marca a transição da Lei para a Graça, da obediência ritual para a vivência relacional e comunitária.